domingo, 2 de março de 2008

Manifesto COMER COM A MÃO

O seguinte manifesto corresponde a proposta de realização nacional de ação de terrorismo poético que consiste em comer com as mãos em algum restaurante (de preferência um de boa reputação) a ocorrer em data/período a ser definido:

Existem basicamente três tipos de lei: A primeira é a lei essencial, necessária para defender uma pessoa da má índole de uma outra pessoa. Essa é a lei que garante o direito de cada um viver sua vida sem a interferência de ninguém contanto que suas ações também não interfiram na vida de outra pessoa.

A segunda é a lei administrativa, criada para sustentar a lei essencial e garantir o seu cumprimento. Essa lei é questionável porque é ela que estabelece a figura da autoridade que, além de abusar do poder que lhe é conferido, muitas vezes se sente superior a lei essencial e confere a si mesma o direito de violar aquilo que deveria defender e garantir que fosse cumprido.

A terceira é a convenção social. Uma lei não escrita e que deve ser combatida de todas as maneiras possíveis porque estabelece um modelo fixo de cidadão que todos devem seguir. Esse modelo, desde sua criação condenado ao colapso, impõe que as pessoas abram mão de sua própria humanidade, personalidade e de seus instintos para se transformarem em seres pré-programados e autômatos, que abaixam a cabeça para a autoridade e morrem de medo de transgredir qualquer lei, regra ou convenção.

A convenção social nos afasta cada vez mais de quem realmente somos e, então, são necessárias ações drásticas (e, por vezes, simbólicas) para reclamar esse nosso direito de vivermos sem a interferência de ninguém, direito esse que deveria ser garantido pela lei essencial.

Paradoxalmente, a lei essencial apóia a convençao social (principalmente por meio de leis administrativas) porque tem tanto medo da transgressão que prefere a robotização dos seres humanos. Então chegam momentos em que é necessário lutar até mesmo contra a lei essencial para garantir aquela liberdade individual básica, a qual todo ser humano tem direito.

A proposta desse ato de protesto é resgatar a selvageria do instinto de uma época onde não existia a instituição denominada sociedade e, tão pouco, existiam as suas amarras. O ato de comer com a mão representa o reconhecimento de que muitas leis são totalmente desnecessárias e, a partir desse reconhecimento, a reafirmação de que temos opinião e não vamos aceitar leis que não têm um objetivo claro.

Os talheres foram criados para evitar o contato direto do alimento com mãos sujas ou da pele sensível com alimentos quentes. Mas se lavarmos as mãos antes e depois de comer, e comermos alimentos em temperatura adequada, qual é a real necessidade e função dos talheres?

Analogamente, o mesmo questionamento deve ser feito em relação a diversas outras leis:
Considerando-se que nem toda situação e nem toda pessoa é padronizada, sob condições específicas, qual é a real necessidade de determinada lei?

Além do ato, e de tudo o que ele representa, a visibilidade é necessária nos setores mais adormecidos da sociedade, nos lugares onde se reúnem as autoridades administrativas e nos lugares onde estão os mantenedores dessas convenções: Ou seja, em meio a burguesia, aos oficiais da lei e aos membros de organizações sociais que impõem suas convenções (isto é, qualquer organização que incentive o cumprimento de leis sem razão de ser).

(Observação: O questionamento básico para identificar uma lei desnecessária é: A transgressão dessa lei prejudica ou pode prejudicar a alguém? Prejudica ou pode prejudicar a mim? Se a resposta para ambas as perguntas for negativa, trata-se de uma lei sem razão de existir)

Portanto, a proposta desse ato é infiltrar-se em qualquer ambiente formal (tal como restaurantes de boa reputação) e, sem alarde, comer com a mão. E, ainda mais importante, lutar pelo seu direito de comer com a mão. Portanto, se alguém tentar lhe privar desse direito imponha aos funcionários do local sua autoridade de consumidor e de poder fazer o que bem entender e imponha o seu direito de não ser julgado socialmente pelos frequentadores do lugar.

Idealmente, essa ação não deve ser feita com grandes grupos para não parecer uma zuação ou um flashmob adolescente. Mas, caso necessite de apoio moral, realize a ação em conjunto com o menor número de pessoas possível. Uma opção é ter várias pessoas no mesmo restaurante, mas em mesas diferentes. Isso inclusive seria interessante para dar às pessoas comendo com talheres o sentimento de minoria.

Lembretes:

- Comer com a mão não é crime! Defenda seu direito de fazê-lo sem medo de ameaças.

- O protesto não é contra restaurantes específicos e sim contra a convenção social. Portanto, não é digno fazer barraco desnecessário. Porém, se seu direito de ser livre e comer com a mão for violado, sinta-se livre para fazer o que bem entender: inclusive sair sem pagar (não sem antes dar um bom discurso contra a hipocrisia das convenções sociais).

- Sintam-se livres para combinar essa ação com outras de sua escolha.

- Se for fazer o ato sozinho não sinta vergonha. A vergonha é a maior arma da convenção social para lhe manter no cabresto dela. Sinta orgulho de ter despertado para uma realidade enquanto todo o resto do local permanece se comportando como gado.

Informações atualizadas sobre a ação, quando houverem, serão divulgadas na comunidade do orkut: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=45914573

1 comentários:

Patrícia Colmenero disse...

Thi, o manifesto ficou muito bem escrito!
Espero que as pessoas leiam e se interessem. Vou postar o seu link no meu blog no próximo post!
Beijão